"Por que uma sessão de reiki tem a capacidade de afastar o medo? De onde vem a sensação de paz que toma conta de você depois de receber o johrei ou tomar um passe espírita? Há algo de divino nessas técnicas de cura pelas mãos, mas você não precisa ter um tipo específico de fé para se beneficiar delas. Basta querer - e não se assustar com termos como energia cósmica, doação de forças ou aplicação da luz, apesar de parecerem coisas do além, os resultados são terrenos e, segundo os beneficiados, funcionam mesmo.
Chieko Aoki, 58 anos, presidente da rede Blue Tree Hotels, ficou livre da enxaqueca crônica com sessões de reiki: "Eu chegava a passar três dias sem sair da cama. Minha sogra começou a me aplicar e em pouco tempo eu estava curada", diz a empresária, que há seis anos não sabe o que é dor de cabeça. Criado por volta de 1870 por Mikao Usui, um religioso japonês, o reiki é a união de duas energias: a cósmica (rei), que flui do Universo, e a vital (ki), do ser humano. O terapeuta aprende a captar a energia do Universo, transmitindo-a por meio das mãos para todo o corpo do paciente, que pode sentir um leve formigamento ou calor - só com a aproximação das mãos, pois não há toque. O reiki dissolve bloqueios e promove o equilíbrio. A sessão pode levar até uma hora e o bem-estar é imediato. Como todos os métodos de imposição das mãos, eleva o nível de força vital.
Parece abstrato? Não para Tânia Helena Alvares, nefrologista com mestrado em transplante renal pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e mestra em reiki. "Senti o efeito em mim.
Antes do reiki, eu sempre ficava mal após os plantões. Tinha dores no corpo, irritabilidade e falta de concentração. Passou. Também comecei a enxergar as pessoas e a mim mesma de forma diferente. Continuo atuando como médica alopata e há cinco anos utilizo a imposição das mãos. O efeito é rápido e impressionante."
Hipócrates, considerado o pai da medicina, observou, já no século 5 antes de Cristo, que o calor irradiado das mãos fazia bem aos pacientes. Segundo a filosofia hindu, elas têm poderes graças à presença de pequenos chacras nas palmas, centros energéticos capazes de canalizar a força vital. Hoje, com a ajuda da física quântica, muitos estudiosos tentam validar cientificamente métodos como reiki e afins, lembrando que eles são eficientes mas não milagrosos: atuam
como terapia de apoio e não substituem tratamentos médicos.
O que acontece é que, com a energia vital equilibrada, a pessoa não adoece. Para entender como funciona, o melhor mesmo é experimentar sugere Giovanni Alves da Rosa, 43 anos, administrador de empresas, ministro da Igreja Messiânica e praticante do johrei há 14 anos. Ele buscou essa prática por causa do filho caçula, na época com 1 ano, que enfrentava um problema grave nos rins. Em menos de um mês, com aplicações diárias, o menino ficou bom.
Instituída no Japão em 1935 pelo empresário Mokiti Okada, a Igreja Messiânica Mundial tem como base o johrei: imposição das mãos para a transmissão da luz divina. No Brasil, já existem 600 unidades de Johrei Center que recebem cerca de 650 mil pessoas por mês - elas relatam alívio ou cura de depressão, insônia e dores variadas; muitas usam o recurso para parar de fumar ou largar outros vícios.
Cada aplicação dura de 15 minutos a meia hora. Dependendo da necessidade, esse tempo pode ser perlongado. Quem aplica o johrei senta-se na frente de quem recebe, faz uma reverência a Deus e atua como um veículo de luz impondo as mãos a uma distância de 30 centímetros do corpo do receptor. Acredita-se que o método elimina as impurezas espirituais, como sentimentos de ódio e insatisfação, e também as toxinas orgânicas. Pessoas de qualquer credo podem aplicar johrei desde que se disponham a fazer o curso apropriado.
Embora as técnicas de origem japonesa tenham crescido no Brasil nos últimos anos, há muito tempo já se pratica a imposição das mãos em centros espíritas no país. "Os passes são uma doação de forças por meio de um colaborador com a participação dos espíritos de luz", explica o advogado Wladimir Lisso, diretor da Federação Espírita de São Paulo, que há mais de 30 anos trabalha com assistência espiritual.
Quem dá o passe fica em pé e coloca as mãos sobre a cabeça da pessoa, que, sentada, recebe por alguns minutos os fluidos vitais. "O método trata os desequilíbrios emocionais e auxilia na recuperação de doenças que já se refletem no corpo físico, mas que acreditamos ter origem espiritual", diz Lisso. O alívio é perceptível, mas os espíritas consideram que, para efeitos duradouros, é importante se aprofundar na vida espiritual. A manutenção da vitalidade depende de uma mudança de atitude - e ela só ocorre quando assimilamos que corpo, mente e espírito são inseparáveis e que nossas escolhas cotidianas interferem não apenas no equilíbrio individual mas na saúde do ambiente e das relações.
REGINA VALADARES - "Revista CLAUDIA – FEVEREIRO 2007"
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