quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

TRINTA ANOS SEM ELIS REGINA!!!


Elis era uma encrenqueira. Não por acaso a chamavam de Pimentinha. Desaforada, era do tipo que brigava com garçom em restaurante. Mais de uma vez assisti a cenas dela. Me constrangia.

Fui acordado naquele 19 de janeiro de 1982 por um telefonema da Regina Echeverría – acho que foi a Regina, sim. Regina era superamiga da Elis e acabaria por escrever a definitiva biografia dela, Furacão Elis, que já deve estar aí pela décima edição.

Foi com a Regina que conheci pessoalmente a Elis, quando ela ainda morava na casa da Cantareira. Não seu dizer se já separada do César Camargo Mariano ou ainda com ele. Minha precaríssima memória registrou, de todo modo, a presença de uma garotinha esperta, de quatro anos, chamada Maria Rita.

Quando a Regina me ligou, não acreditei no que ouvia. Foi um baque. Corri para a redação da IstoÉ, onde o Geraldo Mayrink, editor de Cultura, já coordenava a cobertura com seu time de repórteres-gatas, em que a inteligência competia com a beleza. Também acabei escrevendo um texto modesto na edição daquela semana.

Até então eu acreditava que Elis era uma cantora cult, por causa da irreverência dela e da escolha do repertório, sempre cheio de alusões politizadas no escuro da ditadura militar que já se esvaía.

O enterro dela me desmentiu. A explosiva Elis era um ícone do povo, querida de todos. O cortejo passou pelas ruas do centro de São Paulo e os prédios deixavam cair lágrimas, pétalas de rosas e papel picado. Foi emocionante.

Antes dela, imagino que só Carmem Miranda deva ter provocado tal comoção. Depois dela, Ayrton Senna.

Elis morreu muito nova, aos 36 anos. A consternação popular aumenta quando se constata a injustiça de uma morte tão prematura.

O fato é que o povão sabia quem – e o quê – estava perdendo. Elis era única e continua sendo incomparável.

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